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  • Writer's pictureMarina Vergueiro

O estigma da depressão


Mais uma vez fui diagnosticada com Depressão. Não será a última e, aliás, enquanto tivermos um genocídio em curso, o risco de que este diagnóstico se agrave é iminente, infelizmente. Por que eu compartilho isso? Acha que é porque eu quero chamar a atenção?! Exatamente! Quero chamar a atenção para os estigmas e preconceitos relacionados à saúde mental. Porque assim como eu, milhões de pessoas no Brasil vivem esta realidade diariamente e são discriminadas das mais violentas formas, inclusive pelas pessoas mais próximas. Irônico, não é mesmo?! É comum escutarmos coisas do tipo: "você só reclama", "reclamar não adianta nada", "era só você não ter feito isso ou aquilo", "tem tudo na vida e reclama, muito mimada", "fica caçando pelo em ovo", e zilhões de outras violências que não apenas machucam, mas agravam o quadro depressivo.


Quem sofre de depressão não precisa da sua pena nem da sua caridade, precisamos de respeito, nada mais! Assim como você respeita um doente de câncer ou diabetes, precisamos que você reconheça que uma doença mental é uma patologia REAL e merece ser tratada como tal. Não poso nesta foto com intenção de fazer apologia às drogas lícitas, até porque tenho também minhas ressalvas com o "mercado da depressão", mas assim como eu tomo antiretrovirais para que a aids não me roube a vida, omeprazol pra suportar a produtividade capitalista e Cataflan pra dor muscular, os antidepressivos estão me ajudando a levantar da cama e nutrir alguma espécie de esperança que este desgoverno nos quitou violentamente.


Ressalto que terapia e espiritualidade também são imprescindíveis no meu processo.

Existem centenas de camadas dentro da doença chamada depressão e eu não sou especialista para aprofundar nas questões técnicas, mas posso falar sobre as minhas experiências. Mesmo sendo uma pessoa alegre, divertida e extrovertida, desde criança tenho momentos depressivos que eventualmente desencadeiam para a depressão. Suspeito que seja uma condição genética ou até espiritual de outras vidas, um tipo de doença crônica que eu tenho que cuidar constantemente e, quando necessário, iniciar tratamento.


Por sorte ou privilégio, nunca a desenvolvi num nível que me paralizasse totalmente (embora tenha tido ideações suicidas na adolescência), mas ela atrapalha demais e hoje em dia eu sei que os mecanismos de autosabotagem causado pela depressão resultante da gordofobia que eu sofri foram responsáveis por me fazer demorar anos e anos para realizar coisas que poderia ter feito de maneira muito mais rápida: na carreira, no amor, na poesia. E este sentimento de "perdi tanto tempo" dói muito para uma amante da vida como eu, pois "o tempo não pára"! Dói também ver o presente repetir o passado. O cheiro de rato da piscina me causa uma ânsia constante com rompantes de ódio, mas sobreviver é resistência e não será a primeira vez que eu sobrevivo quando o estigma e o preconceito querem me matar. Vida que segue! E que a justiça seja feita no Tribunal de Haia para o Bolsonaro e todos os governantes e empresários cúmplices deste genocídio!


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